Lusco Fusco

by Cena Paisagem

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credits

released March 18, 2017

Rodrigo Pinto: voz (todas as faixas)
Kelvin de Souza: teclado, synth, beats e desenho de som (todas as faixas)
Matheus Mantovani: adlibs (faixa 1), guitarra (faixa 2) e violão (faixa 3)
Hudson Müller: Saxofone e trompete (faixas 1 e 3)

Produção, mixagem e masterização: Kelvin de Souza - Onça Discos

Letras por: Rodrigo Pinto

Capa por: Beatriz Lourenço e Cena Paisagem

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Onça Discos Curitiba, Brazil

Onça Discos releases music from brazilian artists who aren't afraid to kick it mixing styles and genres.

Onça Discos lança músicas de artistas brasileiros que não têm medo de arrochar e botar pra torar misturando estilos.

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Track Name: Lusco Fusco - Parte 1
a cara feia de quem tá com fome
a cara meia de quem tá e some
as oito e meia lusco fusco escassa
senha errada,
mente embaça, desembrulha as facas (sobe a fumaça!)
tanto corte, tanto codinome
de manhã cedo, como você dorme?
quem se importa
eu colo nas placas
fica na mesma, perde a piada
não tem mais graça
porque agora eu faço desse jeito
bate dentro do meu peito
me criei sujeito e sentimento
debaixo da escada
com pupilas dilatadas
as raízes e a estrela da gangue
aquela tribo e os dedos metalizados
atmosfera, o produto, e o mais longe dos lados
o touro canibal
hieroglifos decodificados
pode até me dá um prêmio
eu te mostro quem eu sou
sem limites
foda-se um rap gênio
é porque eu lavro a palavra
o pensamento recorrente
mano, eu lavo isso com água
com toalha seco a pele forte
até não sentir mais nada
o poder do meu pretérito
só mérito na jogada
medalha pras minhas falhas
fecha as portas e a cara
não se importe quanto valha
ou quem venceu a batalha
isso é tudo muito palha
então eu troco de conversa
conservo seu coração
o resto já não me interessa
Track Name: Lusco Fusco - Parte 2
a rima é fogo e eu disparo
o disparate desse jogo
tudo de novo, ao contrário
a neblina tudo embaça
rasga a conta e o salário
pega o sono e disfarça
não se faça de otário
é que nas memórias
as coisas tem um outro peso
sendo mesmo, mesmo sendo
pesadelo ou si mesmo
uma sina do cismado
a escala do abalo
engavetado o envelope
terremoto enciumado
nem é tão complexo
é o reflexo
no espelho quebrado
é a travessia na banguela
sobre um lago
num trenó que é só o pó
horizonte congelado
a camada é tão fina
será que vale essa viagem?
se valesse então, menina,
você me guia até a margem?
ou me solta lá no meio
onde a bóia é uma miragem
só a rédea, sem freio
nem ponteiro de quilometragem
ou foi só um susto
acordei mudo
e você de maquiagem?

será que águas lavam isso?
de falar tudo que sinto
será que isso é compromisso
ou é cara de nada
forçando aquele seu sorriso
não repita, por favor
prefiro que fique omisso.
as palavras são ao vento
que no verso imortalizo
é espera sem chegada
não se faça de difícil
é sentir a brisa
na beira do precipício
meu corpo é solto
um projétil
no topo desse edifício.
mas tudo bem
gosto da cor transparente
as paredes, corpo inteiro
nesse poço sem nascente
fratura exposta
a procura de resposta
eu te lanço um olhar
você só me dá as costas

dias espaçados
eu preencho com cerveja
coração desritmado
os ossos tremem em ciência
aceite esse fato
eu nunca tive essa eloquência
calos vocais calados
apenas um ser que só pensa
horror cabulosão
seguindo a treva
cabisbaixo
pensando um monte de merda
me sentindo assim tão fraco
caneta em traços fortes
e livros na estante
consentindo os sentidos
nessas linhas consoantes
desenrola essa idéia
não faço da platéia testemunha
só rimas de decreto
enquanto medéia roe suas unhas
não me segura
tô na luta
com pulmão calibrado
uns golpe de kama sutra
de chinelo e bermuda
ou cumas 20 blusa
não existe adequado
por isso nunca se iluda
é assim mesmo
nós vamos juntos
a verdade prevalece
mesmo que acabe o assunto
no meu endereço
ou mesmo que eu me mude
acendo insenso pra livrar
ouvindo outubro do azymuth
do alto de uma nuvem
eu vejo a cena paisagem
a cidade se levanta
tange a lira da saudade